O looper e as seis cordas – Parte 1
Posted by André Nucci in Guitarra
Bom, não sei se isso vai ser uma série de posts ou apenas um, mas acho que é hora de, como guitarrista, falar um pouco sobre o assunto. Mas queria falar sobre algo um pouco diferente. Não quero repetir tudo o que já foi dito sobre microfonação, amp X contra amp Y e etc. Acho que esses assuntos devem ser discutidos nos seus devidos espaços.
Estive pensando bastante no assunto Guitarra x Ableton e percebi que não vejo muitas pessoas falando sobre novas maneiras de utilizar o instrumento e, mais especificamente, não vejo muita discussão sobre maneiras diferentes que guitarristas estão utilizando o Ableton.
Que a esmagadora maioria de usuários do Ableton faz musica eletronica não é nenhum mistério. Pra mim o grande mistério é, por que a maioria dos guitarristas não utiliza o Ableton de maneiras diferentes? Ou até basicamente utilizando a Session View.
Não pense que não me incluo nesse bolo. Com o Ableton já fiz de tudo, desde musica eletronica até space rock. Mas veja bem, toda vez que utilizava a guitarra, era de maneira convencional, sequenciando os intrumentos de uma maneira linear na tela de arranjo, deixando assim todo o poder de Looper e todo o “live” do Ableton de fora das produções. Parece até que superei uma crise existencial ao perceber que mesmo com ferramentas fantasticas para fazer novas coisas, estava simplesmente tentando reproduzir o já produzido.
No mundo da guitarra (creio que na maioria dos instrumentos convencionais) o que todo mundo busca é o timbre ideal e o jeito mais rapido de tocar para disfarçar que você não tem nada a dizer. Buscar o timbre ideal pra muitos significa reproduzir exatamente os equipamentos do guitarrista favorito e se decepcionar por não atingir O som. Sobre tocar rápido, bom, acho que o Michael Angelo inicia e termina a discussão muito bem. O que quero dizer com isso é que não se buscam, ou pelo menos não se discutem, novas maneiras de se produzir musica com uma guitarra.

Voltando ao Ableton, quando este maravilhoso software se firmou, a maneira mais obvia era utiliza-lo como um grande Looper. Ok, nada mais justo, visto que era uma grande novidade (o software, não o looper). Então era aquele processo, ir criando camadas ao vivo até ter uma musica completa, igualzinho uma loopstation. Mas como a cabeça de quem cai no mundo do Ableton não pára, logo se desenvolveram inumeras técnicas de criação e produção.
E aí amigo guitarrista, você se pergunta: “E a gente?”.
Parece que o gás que o Ableton deu nos home studios fez a curva na caixa dos guitarristas e só quem vive fora da caixa conseguiu pegar carona. O Live tá na versão 8, oito minha gente! e só agora encontrei um aprofundamento no uso da guitarra de maneira “inovadora”.
Por acaso caí nesse série de videos do Christopher Willits (não conhecia) onde ele discute detalhadamente como usar a guitarra para produzir musica (não apenas com um captador MIDI) . Vale muito a pena conferir tudo e até assinar o podcast.
Enfim, a razão para minha empolgação é que, por acaso eu tenho um setup muito parecido com o dele. Minha FCB1010 que estava esquecida aqui foi ressucitada, assim como meu PODxt. Depois de assistir tudo, resolvi começar a brincar com isso e me surpreendi com a diversão que se pode ter tocando sozinho. Não é como gravar uma progressão e ficar improvisando por cima. Você se sente muito mais criador e vê que a coisa caminha com mais foco.
Estou apenas entrando nesse mundo (pelo menos sob a perspectiva da guitarra) e com prazer compartilharei tudo o que aprender de interessante, assim como espero que outros guitarristas contribuam com novas maneiras de se produzir musica com esta maravilhosa combinação.
Pelo visto isso vai ser uma série interminável mesmo.
Cheers.


